terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Reimoso ou Remoso - cultura popular brasileira

A pronuncia correta é reimoso, que é a denominação dada a alguns alimentos que "fazem mal" aos doentes. Carne de porco, carneiro, crustáceos em geral, ovo e muitos outros são considerados reimosos, sendo que esta lista varia de local para local, um indício de que essa classificação não atende ao rigor científico. Sob essa perspectiva, ressalta-se que em várias regiões do Brasil observa-se um sistema de classificação de alimentos com muitas proibições alimentares que são baseadas nesse sistema. 
Os alimentos são classificados de diversas denominações, dentre elas destaca-se a noção de “reima”. De um modo geral, a “reima” não é definida pelas ciências naturais e da saúde. Trata-se de uma característica que torna o alimento “ofensivo” para certos estados do organismo. Assim, por exemplo, popularmente tem-se que o alimento reimoso faz mal. A palavra “reima” deriva de rheuma (grego) e designa “mau gênio”.
Boa parte dos profissionais tendem a concordar com os pacientes no que concerne em não comer alimentos reimosos no pós operatório de cirurgias, por se tratar de uma conduta mais fácil e que não cria polêmica, porem sob a luz da ciência não há nenhum problema em consumir tais alimentos no pós operatório de cirurgias. Contraindicações vão ser mais com relação a temperatura e a rigidez, por exemplo, pacientes que realizam cirurgias orais devem comer comidas mais liquidas e pastosas e não muito quentes, de preferências geladas, pois são mais fáceis de serem consumidas, não irritam a mucosa e sendo gelada ainda ajudam diminuindo edema. O ideal é sempre seguir as recomendações do cirurgião-dentista que realizou o procedimento este é que determina as melhores condutas a serem seguidas no pós-operatório.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Cranioplastia - Reconstrução a partir da prototipagem utilizando o material metilmetacrilato.



A cranioplastia é possivelmente o procedimento cirúrgico mais antigo que se tem notícia, com indícios de sua realização datando desde 3000 A.C., quando, ao lado de crânios Incas trepanados, eram freqüentemente encontradas conchas, cuias e placas de ouro e prata.
A reconstrução da falha óssea pode ser realizada através da prototipagem que é o método de reprodução de seguimentos corporais a partir da imagem adquirida por exames radiológicos como a tomografia computadorizada de crânio (TC) com cortes finos (1mm) e reconstrução tridimensional - 3D e/ou a ressonância magnética de crânio (RMN). Existem várias formas de prototipagem empregadas para criação de biomodelos (replicação da morfologia de uma estrutura biológica em substância sólida) e, dentre eles, o de estereolitografia é o mais utilizado atualmente.
Tem sido amplamente utilizada na área médica e odontológica para construção de moldes que facilitam a simulação e programação cirúrgica, assim como criar próteses definitivas que permitem a reconstrução do crânio evidenciando as reais proporções da falha óssea.
O uso do metilmetacrilato em cranioplastia iniciou-se em 1940, quando foi utilizado por Zander em humanos e por Kleischmidt em animais. Até hoje, o acrílico é o material mais empregado apresentando resistência e força medianas, produz reações tissulares aceitáveis, capaz de aderir firmemente ao osso, não é termocondutor, é de fácil obtenção e baixo custo.
Outra vantagem da prototipagem com o uso de metilmetacrilato é que se evita a polimerização do material "in loco" e os problemas advindos deste processo(reação exotérmica com lesão de estruturas durais e subdurais, e liberação do monômero na circulação, provocando hipotensão arterial sistêmica).
Estas cirurgias reconstrutivas são realizadas em equipe onde normalmente o cirurgião bucomaxilofacial trabalha junto com um neurocirurgião (médico), estes procedimentos são realizadas em ambiente hospitalar com acompanhamento multisciplinar para a completa recuperação do paciente.


Pré-operatório

Pré -operatório
Modelo prototipado
Prótese customizada.
Cirurgia realizada.
Pós-operatório


 


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Doenças bucais em crianças e bebês - Região bucomaxilofacial

É muito comum acontecerem alterações nas mucosas bucais, dentes , pele e anexos.
Dentre elas estão as alterações patológicas e fisiológicas que podem acometer desde os primeiros dias de vida, com isso muitos pais ficam preocupados.
Todas as alteraçoes citadas abaixo devem ser tratadas pelo profissional habilitado, normalmente na odontologia as areas, especialidades, relacionadas são: odontopediatra, estomatologista e cirurgião bucomaxilofacial.
Alterações de desenvolvimento mais frequentes nos recém-nascidos:

 1- Dente Natal
- Aparece na cavidade bucal do bebê ao nascimento;
- Se origina provavelmente de hipovitaminoses, posição superficial do germe, hereditário ou associado a  síndromes;
- Os dentes mais afetados são os incisivos centrais inferiores;
- Conduta: realizar radiografia;
- Se for um dente da série normal e maduro (estrutura e implantação normais) deve-se acompanhar, lixar bordas cortantes e instituir normas de higiene;
- Se for supranumerário ou imaturo (estrutura e implantação anormais) deve-se realizar a extração.
Dente Natal
2- Dente Neonatal     
                          
- Aparecem 30 dias após o nascimento;
- Se origina provavelmente de hipovitaminoses, posição superficial do germe, hereditário ou associado a síndromes;
- Os dentes mais afetados são os incisivos centrais inferiores;
- Conduta: realizar radiografia;
- Se for um dente da série normal e maduro (estrutura e implantação normais )deve-se proservar, lixar bordas cortantes, instituir normas de higiene e aplicar verniz com flúor;
- Se for supranumerário ou imaturo (estrutura e implantação anormais) deve-se realizar a extração.
Dente neonatal
3- Doença de Riga-Fedé

- Úlcera traumática no ventre da língua;
- Causa: traumatismo de dentes natais ou neonatais;
- Conduta: alisar as bordas cortantes (discos de lixa com granulações diferentes), inserir incrementos de resina ou ainda realizar exodontia.
Doença de Riga-Fedé


4- Nódulos de Bohn

- Origem: tecido embrionário de glândula mucosa;
- Localização: nos rodetes gengivais (porção palatina ou vestibular);
- Conduta:observação e massagem digital.
Nódulos de Bohn
5-Pérolas de Episten

- Origem: remanescentes do epitélio do palato;
- Coloração: branco acinzentado;
- Localização: Rafe palatina;
- Conduta: Observação e controle.
Pérolas de Episten
 6-Cistos da Lâmina Dentária

- Origem: remanescentes da lâmina dentária;
- Coloração: esbranquiçada;
- Localização: na crista do rebordo gengival;
- Conduta: acompanhar e fazer massagem suave.

Cisto da lâmina dentária
7-Hematoma ou Cisto de Erupção

- Origem: associado à erupção dentária;
- Coloração: Sangramento no espaço cístico negro-azulada;
- Conduta: massagem digital se precisar incisão para drenagem, em casos raros se faz necessário uma pequena incisão.
Cisto ou hematoma de erupção
 8-Candidíase

- Origem: Contribuem para o seu desenvolvimento o uso prolongado de antibióticos, imunossupressão, diabetes mellitus,cadidíase neonatal;
- Forma mais frequente: Pseudomenbranosa com placas brancas ou amareladas;
- Conduta: Limpeza da boca com pano limpo ou gaze enrolada no dedo, emersa em água filtrada ou fervida ou em soro fisiológico.
Opçoes de tratamento devem ser discutidas com o cirurgião-dentista, as opcóes de medicamentos mais frequentes são: Nistatina, miconazol e agua oxigenada 10 volumes;
- Realizar desinfecção de objetos contaminados (chupetas, bicos e talheres) é fundamental;
- Higienizar o mamilo e auréola com solução apropriada.

Deve-se ter especial atenção para os casos de recorrência do quadro de aftas, pois pode significar alguma doença sistêmica presente.



Sapinho ou candidíase
 9-Gengivoestomatite Herpética Aguda

- Herpes vírus tipo 1;
Sintomas:
- Primeiras 24h: mal estar, febre, irritabilidade, perda de apetite, cefaleia e linfoadenopatia cervical anterior;
- Após 24h: Gengiva inchada, salivação intensa, dor e formação de vesículas;
- Duração: 6 a 16 dias;
- Limpeza com água oxigenada a 10 volumes  diluída na proporção de 1:5 com auxilio de gaze, algodão ou cotonete;
- Aplicação tópica: VASA (Violeta de genciana 2% , lidocaina 2%, Sacarina qs e água destilada qsp-10ml) antes e após das refeições, para limpeza ;

Hérpes
Gengivoestomatite Herpética Aguda
10-Estomatite Aftosa Recidivante

- Causa: Fatores traumáticos;
- Localização: mucosa jugal,lábios, sulco vestibular e lingual,palato mole, faringe e gengivas;
- Tratamento: limpeza e pode ser indicado VASA ou aplicação de  Oncilon-A em orabase-2 a 3x ao dia (para aliviar os sintomas)



11-Fissuras Labiopalatais

- Mais comum na maxila;
- Atinge lábio, processo alveolar e o palato;
- Conduta: procurar centro especializado em reabilitação de fissuras labiopalatais.


 12-Língua Geográfica

- Etiologia: desconhecida;
- Hereditário;
- Aparece como áreas irregulares rosa avermelhadas com perdas de papilas filiformes;
- Podem ocorrer alterações gustativas, sensibilidade a alimentos ácidos e contaminados.

Língua geográfica

Língua geográfica
 13-Anquiloglossia

- União da ponta da língua ao soalho lingual;
- Conduta : cirúrgica, cirurgia de frenectomia lingual.

Freio lingual hipertrófico




 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Síndrome de Eagle - Como diagnosticar e tratar



A apófise estilóide é uma projeção óssea alongada, cilíndrica e pontiaguda que se origina ântero-medialmente ao processo mastóideo. O seu comprimento varia de 2 a 3 cm, servindo como ponto de origem (inserção) para os músculos estilohióide, estiloglosso e estilofaríngeo. O nervo facial emerge posteriormente, a partir do forame estilomastóideo, e passa lateralmente através da glândula parótida. Medialmente à apófise estilóide encontramos a veia jugular interna, os nervos cranianos glossofaríngeo, vago, acessório e a artéria carótida interna. Medialmente à ponta da apófise temos o músculo constritor superior da faringe e a fáscia faríngo-basilar, adjacente à fossa amigdaliana. Lateralmente encontramos a artéria carótida externa. O ligamento estilo-hióide se estende da apófise estilóide ao corno menor do osso hióide. Essas estruturas são derivadas do mesênquima do segundo arco branquial ou cartilagem de Reichert. 
A Síndrome de Eagle foi descrita em 1937, como a presença de dor contínua na faringe, quando presentes, um conjunto de sinais e sintomas associados à presença da apófise estilóide alongada, visualizada através de exames por imagem, podem caracterizar-se como Síndrome de Eagle  . Embora a incidência do alongamento do processo estilóide seja razoavelmente comum, somente um pequeno percentual destes pacientes exibem os sintomatologia devido a esta alteração. Esses sintomas podem variar de Otalgia, odinofagia, dores de garganta recorrente, trismo, cefaléia, sensação de corpo estranho, disfagia, zumbido, dor facial ou até mesmo limitação dos movimentos cervicais, se tornando um incomodo ao paciente. O tratamento cirúrgico para pacientes que apresentam a apófise estilóide alongada com sintomas compatíveis com a Síndrome de Eagle é a melhor forma de conduzir estes casos, sendo a via de abordagem externa a que oferece mais segurança e que possibilita uma ressecção mais completa.


Sinais e sintomas:

-  Cefaléia;

-  Disfagia;

-  Dor facial;

-  Limitações dos movimentos cervicais;

-  Sensação de corpo estranho

Vista anatômica do processo estilóide.
Tomografia  do processo estilóide - lado direito
Tomografia  do processo estilóide - lado esquerdo


Texto :  Dr. JoãoFernando Veiga Pires
Cirurgião - Dentista /  CRO-RJ 40143
Aluno do Curso de Especialização em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial
da Marinha do Brasil ( Rio de Janeiro )
Colaborador do site: www.bucomaxilofacial.com.br